Seja Bem Vindo ao Universo do Fibromiálgico

A Abrafibro - Assoc Bras dos Fibromiálgicos traz para você, seus familiares, amigos, simpatizantes e estudantes uma vasta lista de assuntos, todos voltados à Fibromialgia e aos Fibromiálgicos.
A educação sobre a Fibromialgia é parte integrante do tratamento multidisciplinar ao paciente. Mas deve se extender aos familiares e amigos.
Conhecendo e desmistificando a Fibromialgia, todos deixarão de lado preconceitos, conceitos errôneos, para darem lugar a ações mais assertivas cem diversos aspectos, como: tratamento, mudança de hábitos, a compreensão de seu próprio corpo. Isso permitirá o gerenciamento dos sintomas, para que não se tornem de difícil do controle.
A Fibromialgia é uma síndrome, é real e uma incógnita para a medicina.
Pelo complexo fato de ser uma síndrome, que engloba uma série de sintomas e outras doenças - comorbidades - dificulta e muito os estudos e o próprio avanço das pesquisas.
Porém, cientistas do mundo inteiro se dedicam ao seu estudo, para melhorar a qualidade de vida daqueles por ela atingidos.
Existem diversos níveis de comprometimento dentro da própria doença. Alguns pacientes são mais refratários que outros, ou seja, seu organismo não reage da mesma forma que a maioria aos tratamentos convencionais.
Sim, atualmente compreendem que a síndrome é "na cabeça", e não "da cabeça". Esta conclusão foi detalhada em exames de imagens, Ressonância Magnética Funcional, que é capaz de mostrar as zonas ativadas do cérebro do paciente fibromiálgico quando estimulado à dor. É muito maior o campo ativado, em comparação ao mesmo estímulo dado a um paciente que não é fibromiálgico. Seu campo é muito menor.
Assim, o estímulo dispara zonas muito maiores no cérebro, é capaz de gerar sensações ainda mais potencialmente dolorosas, entre outros sintomas (vide imagem no alto da página).
Por que isso acontece? Como isso acontece? Como definir a causa? Como interromper este efeito? Como lidar com estes estranhos sintomas? Por que na tenra infância ou adolescência isso pode acontecer? Por que a grande maioria dos fibromiálgicos são mulheres? Por que só uma minoria de homens desenvolvem a síndrome?
Estas e tantas outras questões ainda não possuem respostas. Os tratamentos atuais englobam antidepressivos, potentes analgésicos, fisioterapia, psicoterapia, psiquiatria, e essencialmente (exceto com proibição por ordem médica) a Atividade Física.
Esta é a parte que têm menor adesão pelos pacientes.
É dolorosa no início, é desconfortante, é preciso muito empenho, é preciso acreditar que a fase aguda da dor vai passar, trazendo alívio. Todo paciente precisa de orientação médica e/ou do profissional, que no caso é o Educador Físico. Eles poderão determinar tempo de atividade diária, o que melhor se adequa a sua condição, corrige erros comuns durante a atividade, e não deixar que o paciente force além de seu próprio limite... Tudo é comandado de forma progressiva. Mas é preciso empenho, determinação e adesão.

Quer saber o que é FIBROMIALIGIA? Leia na coluna à sua esquerda.

Seja bem vindo ao nosso universo, complexo, diferente, invisível... mas é preciso lembrar que o Fibromiálgico não é invisível, e seus sintomas são reais.
Respeite o fibromiálgico!
Nem tudo que você não vê, você desacredita...
Com a fibromialgia não é diferente.
Ela é uma das síndromes ou doenças invisíveis.
Nenhum paciente escolhe ser fibromiálgico.
Carinho, respeito, apoio, entendimento, ações e benefícios governamentais e harmonia ajudam e muito... depende da sociedade, dos familiares, dos amigos.
Os órgãos governamentais que insistem em desmerecer e desrespeitar o paciente, e para mudar este quadro é que JUNTOS estamos lutando. Faça sua parte também.
Não seja você apenas mais um nesta lista. Você pode fazer a diferença. #JuntosSomosMaisFortes
Agradecemos sua atenção.
Boa Leitura!

Sandra Santos -
Diretora Geral e Fundadora
ABRAFIBRO - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FIBROMIÁLGICOS

TRADUTOR

quinta-feira, 12 de junho de 2014

FIBROMIALGIA - EXERCÍCIOS NOSSOS FIBROAMIGOS







Mulher que faz a ioga, os braços estendidos em frente

Menos dor, mais energia


Fibromialgia - com a sua dor muscular, fadiga incessante, distúrbios do sono, e os sentimentos de depressão - é um diagnóstico comum. E se você tem fibromialgia, você quer se sentir melhor, hoje e todos os dias. Ao fazer modificações de exercícios simples, você pode aumentar a sua energia, diminuir a dor e rigidez, e começar a ser mais ativo novamente. Verifique com seu médico antes de iniciar um programa de exercícios.

Jovem, mulher, pés de alongamento, close-up em pé

Exercícios Fibromialgia: Aquecendo

Para evitar ferimentos, é vital se aquecer antes do exercício. O aquecimento deve começar com rotações em conjuntos suaves, a partir de seus dedos e sua maneira de trabalhar o corpo. Realize-os de forma lenta, movimentos circulares (no sentido horário e anti-horário - do relógio e ao contrário do relógio) até que todas as suas articulações - a partir dos pés, tornozelos, joelhos e pernas, quadris, tronco, pescoço, ombros, cotovelos, punhos, dedos e punhos - movam-se suavemente. Nunca faça estas rotações até o ponto da dor.
Jovem alongamento, retrovisor

Estique mais, doer menos

Alongamento melhora a circulação para os músculos e articulações para todos, incluindo as pessoas com fibromialgia. O alongamento também aumenta a sua amplitude de movimento ( você vai começar a se esticar melhor... sem a sensação de creck creck), de modo que se deslocar ao redor se torna mais fácil com o tempo. Alongamento diário lubrifica as articulações e envia nutrientes e oxigênio para os músculos .
Jovem alongamento bezerros

Alongando as Pernas

Para executar este movimento: de frente para uma parede, coloque as palmas das mãos na parede, um pé à frente (com o joelho levemente dobrado), e um pé atrás (perna bem esticada). Deixando os calcanhares no chão, inclinar o corpo para a frente. Ao fazê-lo, sentirá o puxão em sua panturrilha (batata da perna) e o tendão de Aquiles na parte de trás do tornozelo. Mantenha a posição por 30 segundos (conte lentamente 3001,3002, 3003... até 3010 - Isso equivale a um segundo para cada número). Faça três repetições. Em seguida, inverta a posição das pernas e repita. (Troque! Se começou com a perna direita, agora inverta. E comece o exercício novamente com a perna esquerda).
Mulher de levantamento de peso livre

Reforço muscular, Ânimo e Força

Estudos mostram que exercícios de fortalecimento usando pesos livres diminuem a dor e até mesmo reduzem a depressão em pessoas com fibromialgia. O que é mais importante, com o treinamento de força não é o peso, mas a gama de movimentos que você leva seus músculos a fazerem. Receba dicas de um educador físico, para o uso de pesos de mão, faixas elásticas, ou máquinas de resistência, porque feito de forma inadequada estes exercícios podem fazer seus sintomas de dor piorarem.
Instrutor demonstrando imprensa no peito isométrica

Exercícios Isométrico Peitorais

Se o treinamento de força regular é doloroso, isométricos é outra maneira de fortalecer os músculos. Isométricos envolvem enrijecer os músculos sem nenhum movimento visível. Com seus braços na altura do peito, pressione as palmas das mãos tão forte quanto você puder. Mantenha por 5 segundos; em seguida, descanse por 5 segundos. Faça 5 repetições. Nunca esqueça de respirar : Inspirar e Expirar - Põem o ar pra dentro, solta o ar pra fora. Lentamente faça a pressão por 10-15 segundos de cada vez. Sempre respirando lenta e profundamente. Se este exercício for doloroso, pergunte a um educador físico para lhe mostrar um outro exercício isométrico para o peitoral.
Treinador mostrando extensão do ombro isométrica
Extensão do ombro - exercício isométrico
Este exercício isométrico é feito de pé com as costas contra a parede e os braços ao lado do corpo. Com os cotovelos em linha reta, empurre os braços para trás em direção à parede. Inspire e Expire sempre! Mantenha por 5 segundos, e então descansar. Você pode repetir este 10 vezes. Se este exercício for doloroso, pergunte a um educador físico para lhe mostrar um outro exercício isométrico para os ombros.
Mulher com bolsa de gelo no cotovelo

Gelo pode facilitar a dor de fibromialgia

Quando você está sofrendo, compressas frias podem aliviar o inchaço por constrição dos vasos sanguíneos (diminuem o inchaço). Apesar das compressas frias poderem ser desconfortáveis no início, elas podem ajudar a atenuar a dor muscular profunda da fibromialgia.
Mulher madura na piscina sorrindo com placa de pontapé

Quanto de exercícios são suficientes?

Algumas pesquisas mostram que os exercícios duas vezes por semana com duração de 25 minutos cada, pode resultar em melhora imediata dos sintomas da fibromialgia. Se você está apenas começando com os exercícios, escolha um exercício de baixa a moderada intensidade, como caminhada, natação, hidroginástica, usando um flutuador em uma piscina, yoga, tai chi, ou de bicicleta. Comece devagar, aumentando gradualmente a duração e a intensidade dentro de seu limite.
Mulher que planta flores no jardim
Adicionar  Atividades a Vida Diária 
Especialistas dizem que as atividades de vida diária e as tarefas domésticas, como brincar com as crianças, esfregar o chão, lavar janelas, limpar o quintal, e jardinagem podem ajudar quando se trata de aumentar as atividades físicas - e assim, reduzindo os sintomas da fibromialgia.


Mulher meditando na praia
Yoga para o Corpo / Mente 
Yoga, que combina exercícios, alongamento e meditação, é uma ótima maneira de aumentar a disposição quando você tem fibromialgia. As posturas físicas (asanas) podem ajudar a aliviar dores, exercícios de concentração (dharana) ajudar a superar as falhas de memória, e meditação (dhyana) ajudá-lo a se concentrar no presente, em vez de se concentrar em sua dor. Participar de uma aula de ioga em seu centro comunitário local ou numa academia para testar.
Três mulheres que fazem a ioga, fechar-se
Yoga suave ou intensa?
A prática suave de Viniyoga combina respiração profunda com alongamento suave. Este tipo de yoga é uma ótima maneira de melhorar a saúde e bem-estar, especialmente para aqueles que enfrentam desafios de saúde, como a fibromialgia. Com todos os tipos de yoga, é importante encontrar um bom instrutor que entende os desafios da fibromialgia. Pergunte ao seu grupo de apoio, comunidade de fibromialgia, ou ao médico para recomendações.
Mulher que faz o qigong

Qigong para a dor muscular da fibromialgia 

Chamado de "mãe de cura chinês", qigong (pronuncia-se tchi-gongo) combina dança, meditação, movimentos e exercícios de respiração. Estudos sobre qigong e fibromialgia mostraram que este exercício tradicional chinês ajuda a melhorar a energia, diminui a fadiga e alivia a dor.
Mulher fazendo Tai Chi na praia

Tai Chi e fibromialgia  - Flexibilidade

Tai chi chuan é outro exercício alternativo para a fibromialgia, que enfatiza o relaxamento. Alguns até já disseram que o  tai chi é como "meditação em movimento", com dramáticas, fluindo movimentos em vez de ações enérgicas. O objetivo do tai chi é trazer os princípios do yin e yang (positivo e negativo, homem/mulher, calmo/agitado), colocando todos em harmonia. 


# No Brasil, mais precisamente em São Paulo/SP, existe a Associação Brasileira de Tai Chi Chuan (http://www.sbtcc.org.br/), reconhecida na China, e podem informar se há algum instrutor ou local em sua cidade para a prática. Há também alguns municípios que dão aulas gratuitamente aos munícipes, a exemplo de Valinhos/SP. Existe uma autorização do SUS para fornecer esse tipo de prática, verifique com a Secretaria da Saúde de seu município. Se não houver, que tal você conquistar essa vitória para seu município?

Ombros da mulher em banheiro cheio de vapor

Terapia de calor para a dor de fibromialgia

Praticar exercícios com medo será doloroso quando se tem fibromialgia? Tente aplicações de calor antes e após o exercício para aliviar a dor e rigidez.Terapia de calor aumenta a própria força de cura do seu corpo, dilatando os vasos sanguíneos, estimulando a circulação sanguínea, reduzindo espasmos musculares e alterar a sensação de dor. Você pode tentar calor seco - como almofadas de aquecimento ou lâmpadas de calor - ou calor úmido, como banhos quentes ou panos de lavagem aquecidos.


Fonte: http://www.webmd.com/fibromyalgia/ss/slideshow-fibromyalgia-friendly-exercises?ecd=wnl_fib_061014&ctr=wnl-fib-061014_ld-stry&mb=uA30JTD2N3zgES%409naFoweHnVev1imbCBLXaX73qsGU%3d



























FIBROMIALGIA NO PROGRAMA "BEM ESTAR" DA REDE GLOBO - 10.06.2014

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/06/exercicio-fisico-e-parte-do-tratamento-da-fibromialgia-e-pode-aliviar-dores.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=bem%20estar


10/06/2014 10h35 - Atualizado em 10/06/2014 11h47

Exercício físico é parte do tratamento da fibromialgia e pode aliviar dores

No entanto, atividade física deve ser feita sempre com acompanhamento.
Bem Estar desta terça-feira (10) explicou que doença não é psicológica.

Do G1, em São Paulo

 
     


A fibromialgia é uma doença que aumenta a sensibilidade à dor através de nervos - é como se o paciente tivesse mais nervos mandando informação de dor para o cérebro. No Bem Estar desta terça-feira (10), o ginecologista José Bento e o reumatologista Roberto Heymann explicaram que, apesar de não ter cura, a doença tem tratamento, com medicamentos e também atividade física.
Isso porque, ao se exercitar, o condicionamento físico aumenta, o que pode diminuir a sensibilidade à dor; além disso, a atividade física tira o foco da dor já que os nervos estão ocupados em transmitir as informações relacionadas ao exercício. Geralmente, os movimentos aeróbicos leves são os que mais dão resultado, mas não são todos os pacientes que podem fazer - é preciso, portanto, respeitar a capacidade e o limite de cada um e fazer exercício sempre com orientação (confira as dicas no vídeo abaixo).Muita gente acredita que o paciente não consegue se exercitar por causa da dor, mas isso é um mito - como alertaram os médicos, não existe tratamento sem exercício.
O ginecologista José Bento explica ainda que, apesar de muita gente achar que a doença só atinge mulheres, isso também é um mito - é verdade que a maioria dos casos são femininos, mas homens também podem ter, assim como crianças, adolescentes ou idosos. O problema é que a dor da doença pode ser confundida com diversas outras e, como o diagnóstico é clínico, é bom procurar sempre um médico para fazer uma avaliação.
Bem Estar - Infográfico fala sobre fibromialgia (Foto: Arte/G1)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pacientes recebem orientação sobre fibromialgia em Itu

 Publicado: Quarta-feira, 14 de maio de 2014 por Jéssica Ferrari
Ação ocorreu em todas as Unidades Básicas de Saúde da cidade
Leivanira Prieto/Prefeitura de Itu
Foto
Ação educativa sobre fibromialgia em UBS de Itu
Na manhã de 12 de maio, a Prefeitura de Itu, por meio da Secretaria de Saúde, promoveu em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs)de Itu, ações educativas de conscientização sobre a Fibromialgia.
A ação consta do calendário oficial de eventos da cidade desde dezembro de 2013, quando foi aprovada uma Lei Municipal que incorpora a data, já celebrada mundialmente.
A fibromialgia é caracterizada por dores musculares generalizadas e crônicas, com duração mínima de três meses, além de outros sintomas como fadiga, distúrbios do sono e formigamento de braços, pernas, rosto, mãos e pés.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é fundamental que as pessoas que apresentam tais sintomas busquem orientação nos Postos de Saúde. A fibromialgia não tem cura, mas o tratamento garante o alívio dos sintomas.

★Esta Ação no Município de Itu, é resultado da adesão da Prefeitura ao Projeto 12 de Maio, de autoria da Abrafibro - Associação Brasileira dos Fibromiálgicos;  que tem por objetivo orientar e informar os munícipes,  ao instituir no calendário municipal, o Dia da Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia -12 de Maio.
Parabéns ao Exmo Vereador Eduardo Ortiz pela propositura do Projeto de Lei, e ao Exmo Prefeito Sr. Antônio Tuíze por sancionar o PL pela sua importância e relevância. 

Especialista esclarece dúvidas sobre Fibromialgia.

Especialista esclarece dúvidas sobre fibromialgia, doença que ataca o sistema nervoso

A doença é associada a uma grande variedade de sintomas, tanto físicos, como fatiga persistente e distúrbios do sono, quanto mentais, como ansiedade e depressão

    Doença é caracterizada por dores no sistema músculo esquelético
    Doença é caracterizada por dores no sistema músculo esquelético (Reprodução/ Internet)
    A fibromialgia é considerada uma das síndromes crônicas mais dolorosas de nosso tempo, com sintomas que podem afetar seriamente a qualidade de vida dos pacientes, pois afeta todo o sistema músculo-esquelético. 
    O termo “fibromialgia”, criado em 1976, deriva da conjunção das palavras “fibro” (fibra ou tecido conjuntivo, em latim) com os vocábulos gregos “mi” (músculo) e “algia” (dor). Mas só foi reconhecida como uma doença pela Organização Mundial de Saúde em 1992.
    A doença é associada a uma grande variedade de sintomas, tanto físicos, como fatiga persistente e distúrbios do sono, quanto mentais, como ansiedade e depressão.
    Embora afete apenas uma parcela mínima da população, nos países onde há um acompanhamento mais próximo dos pacientes, seus efeitos a tornam digna de análise e atenção da comunidade médica.
    O médico Fernando A. Rivera, da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, membro do Colégio Médico dos Estados Unidos e docente da Escola de Medicina associada à Mayo, revela o que é verdade e o que é mito sobre esta doença.

    O que é a fibromialgia?
    Rivera – A definição mais aceita atualmente  diz que a fibromialgia é uma dor generalizada, crônica, no sistema músculo esquelético, devido a um transtorno do sistema nervoso central na percepção da dor, ocasionando hiperalgesia e alodinia. Em termos mais simples, a hiperalgesia ocorre quando um estímulo, que normalmente é doloroso, provoca uma dor ainda maior no paciente; a alodinia, por sua vez, significa sentir dor por estímulos que normalmente não deveriam provocá-la.
    A origem da doença é conhecida?
    Rivera – Até agora só se conseguiu saber que o surgimento e a intensificação dos sintomas da fibromialgia podem estar relacionados a fatores estressantes, tanto físicos quanto emocionais.
    Que percentagem da população é afetada pela fibromialgia?
    Rivera – Em nível mundial, diz-se que a prevalência está entre 2% e 3%, ainda que se tenha taxas de 5% a até cerca de 10% em atendimento primário. Nos Estados Unidos, a porcentagem é similar: em torno de 2% da população sofre a doença, sendo mais frequente entre as mulheres, à razão de nove por um em comparação com os homens. Calcula-se que cerca de 10 milhões de norte-americanos têm fibromialgia.
    O que se entende por dor generalizada?
    Rivera – Em 1990, a Sociedade de Reumatologia dos Estados Unidos definiu “dor generalizada” como a que ocorre nos dois lados do corpo, esquerdo e direito, tanto acima quanto abaixo da cintura, além de dor esquelética axial, isto é, afetando a coluna cervical, a parte anterior do tórax, a espinha torácica ou a parte baixa das costas. Além disso, o paciente deve sentir dor em pelo menos 11 de 18 pontos predeterminados, denominados “pontos sensíveis”, que respondem dolorosamente quando apalpados. Entre esses pontos, podemos citar a base do pescoço, o cotovelo, a parte medial dos joelhos próxima à articulação, e os glúteos.
    Que tipo de toque provoca essa resposta de dor?
    Rivera – Quando é aplicada uma força aproximada de 4 quilos. Para um ponto sensível ser considerado positivo à dor, o paciente deve declarar que a palpação efetivamente lhe causou dor, tendo em conta que “doloroso” não é o mesmo que “sensível”.
    Mas pode se tratar de um trauma passageiro?
    Rivera – Não é assim. Pacientes com dor generalizada e sensibilidade em pelo menos 11 dos 18 pontos e que sentem essa dor por um período mínimo de três meses sofrem de  fibromialgia.  O diagnóstico clínico da fibromialgia também não é descartado se o paciente tem um segundo distúrbio clínico – como de origem psiquiátrica, que podem ter efeitos físicos, como crises de pânico, ansiedade, depressão, anorexia nervosa, hipocondria, etc.
    Pode ocorrer um diagnóstico de fibromialgia, no caso de algum outro problema?
    Rivera – Em 2010, a Sociedade de Reumatologia dos Estados Unidos concluiu que, para confirmar o diagnóstico da fibromialgia, o paciente tem que apresentar três fatores:
    a) Ter um índice de dor generalizada de 7 (em escala de 0 a 19) e índice 5, em escala de gravidade sintomática de 9 pontos; ou índice de dor entre 3 e 6, porém com escala de gravidade sintomática de 9 pontos;
    b) Ter tido esses sintomas, na mesma intensidade, por pelo menos três meses;
    c) Não ter algum outro problema que possa ser a origem da dor. A equipe médica deve fazer um diagnóstico diferencial, para descartar outras patologias que possam ser confundidas com a fibromialgia, como a polimialgia reumática, infecções virais, artrite reumatoide em fase inicial, déficit severo de vitamina D, tumores cancerosos malignos, entre outros.
    A fibromialgia tem sintomas associados?
    Rivera – Sim. Por exemplo, a fibromialgia pode causar embaralhamento do cérebro, que consiste em problemas de raciocínio e memória; dores de cabeça ou enxaquecas; hipersensibilidade à luz, aos sons, odores e temperatura; cólon e bexiga irritáveis; dor pélvica, dor na articulação temporomandibular (a articulação entre o osso temporal do crânio e a mandíbula, responsável pela função mastigatória). Também podem ocorrer náuseas, parestesia (sensação de adormecimento e formigamento), perda do equilíbrio e infecções crônicas ou recorrentes, como sinusite ou infecção respiratória alta, a que afeta o trato respiratório superior (nariz, seios nasais, laringe, faringe). Outros fenômenos que causam fatiga no paciente são os distúrbios do sono e a “síndrome das pernas inquietas”, que é, basicamente, sentir dor nas pernas durante a noite e fazer movimentos involuntários para tratar de aliviá-la, o que afeta mais frequentemente pessoas de meia idade e idosos.
    Exames de laboratório podem ajudar o paciente?
    Rivera – Ainda que não haja biomarcadores específicos para indicar a presença da fibromialgia, é útil pedir um hemograma completo, que inclua a velocidade de sedimentação globular e o nível de proteína C reativa. Esta se eleva quando há inflamação no organismo, ainda que não haja indicação de sua localização exata. Também convém pedir outros exames, como teste da função da tireoide, nível da vitamina D, painel metabólico completo, testes-padrão de detecção do câncer (antígeno específico da próstata, por exemplo). Um eletrocardiograma, em caso de fatiga extrema, assim como uma tomografia articular, se houver suspeita de sinovite, ou seja, irritação na membrana que cobre as articulações.
    Se um clínico geral suspeita que um paciente tem fibromialgia, a quais especialistas deve encaminhá-lo, para confirmar ou não o diagnóstico inicial?
    Rivera – Como os sintomas são tão variados, já que não há uma causa específica que desencadeia a fibromialgia, uma vez que não é possível diagnosticá-la por qualquer método laboratorial e clínico, ou radiográfico, é necessário dar ao problema um enfoque multidisciplinar, que inclua informações de reumatologista,  especialista em medicina da dor e também psiquiatra ou psicólogo.
    Como se trata a fibromialgia?
    Rivera – Com terapia não farmacológica e/ou farmacológica. A terapia não farmacológica consiste em educar o paciente para melhorar sua atual condição de vida. Fazer exercícios de baixo impacto (aeróbico, natação) de forma regular, terapia física e terapia cognitivo-comportamental. Deve considerar ainda terapias que envolvem o corpo e a mente, como ioga, tai-chi ou qigong, meditação com respiração rítmica, terapias complementares, como massagens e acupuntura, trabalho criativo (arte, música, dança). Em suma, é preciso fomentar a própria capacidade de cada indivíduo de se recuperar física e emocionalmente, depois de um efeito contrário, traumático ou nocivo.
    A terapia farmacológica considera antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina e ciclobenzaprina; inibidores da recaptação da serotonina e norepinefrina, como duloxetina e milnacipran; inibidores seletivos da recaptação de serotonina (não há clareza com respeito a quais; há informações contraditórias); e agentes antiepilépticos, como pregabalina ou gabapentina, que ainda não foram aprovados pela FDA (órgão que controla a comercialização de medicamentos e alimentos nos EUA) para tratamento da fibromialgia.
     Para mais informações em português, visite www.mayoclinic.org/portuguese/.

    FIBROMIALGIA - EM SEC. XXI AINDA É UMA INCÓGNITA

     

    Fibromialgia afeta 3% da população brasileira, mas tem diagnóstico difícil

    Sem explicação científica, doença atinge mais as mulheres, que devem se dedicar a atividades aeróbicas e alongamentos

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    Paula Takahashi - Estado de MinasPublicação:09/02/2014 13:30Atualização:09/02/2014 09:55
    Mesmo com o reconhecimento da doença considerada crônica e pesquisas intensivas sobre o assunto, o fibromiálgico pode levar até três anos para descobrir a justificativa para as dores persistentes e difundidas pelo tecido muscular (istockphoto)
    Mesmo com o reconhecimento da doença considerada crônica e pesquisas intensivas sobre o assunto, o fibromiálgico pode levar até três anos para descobrir a justificativa para as dores persistentes e difundidas pelo tecido muscular
    Dor generalizada por todo o corpo por no mínimo três meses acompanhada por fadiga, ansiedade, depressão, dificuldade para dormir e até alterações intestinais. Durante vários anos, o desconhecimento sobre a fibromialgia levou os pacientes acometidos por esses sintomas a serem tachados de “dramáticos” ou “estressados”, evoluindo para um diagnóstico de transtornos emocionais como depressão. Mesmo com o reconhecimento da doença considerada crônica e pesquisas intensivas sobre o assunto, o fibromiálgico pode levar até três anos para descobrir a justificativa para as dores persistentes e difundidas pelo tecido muscular. O fato de o reumatologista – médico dedicado aos estudos e tratamento da enfermidade – ser procurado apenas depois que o paciente passa por três outros profissionais de áreas distintas está entre os motivos para a morosidade na identificação da patologia.

    Sem qualquer exame que seja capaz dtte detectar a fibromialgia, o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em critérios classificatórios pontuados pelo Colégio Americano de Reumatologia. Entre eles, a presença de dor difusa e generalizada por mais de três meses. “Dentro do corpo existe um sistema de controle de dor. No caso dos fibromiálgicos, esse sistema sofre uma falha, por isso a doença é conhecida como síndrome de amplificação dolorosa”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, coordenador da Comissão de Dor, Fibromialgia e Outras Síndromes Dolorosas de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

    A dor passa então a ocorrer de forma mais intensa nessas pessoas. Uma das justificativas para esse descontrole estaria nas alterações dos níveis de neurotransmissores no cérebro – como serotonina e noradrenalina –, substâncias químicas produzidas pelos neurônios e responsáveis por transportar as informações entre as células. “Há distúrbios associados também ao funcionamento da bomba de cálcio”, acrescenta Marcelo. Outra indicação de que o paciente sofre de fibromialgia são os 18 pontos dolorosos espalhados pelo corpo. É preciso que pelo menos 11 deles sejam reconhecidos. A revisão dos critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia em 2010 excluiu a necessidade de contagem dos pontos dolorosos, orientação que ainda está sob questionamento pela área médica. Com isso, eles ainda continuam sendo utilizados como referência para a detecção do problema.

    Exames de imagem e diagnósticos não são usados para indicar a fibromialgia, mas sim para que seja eliminada a possibilidade de outras patologias. “Os sintomas são muito pouco específicos e não há nada exclusivo da fibromialgia. Por isso são realizados exames para excluir hipotireodismo, doenças do tecido conjuntivo, como artrite reumatoide, e no caso de mulheres no período fértil o lúpus”, explica Luiz Severiano Ribeiro, coordenador do Grupo de Educação do Paciente Fibromiálgico do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg). Há mais de 20 anos, o grupo está aberto ao público interessado em informações sobre as causas, tratamentos e o funcionamento da doença. “Aqui, eles têm contato com pessoas que sofrem do mesmo problema e já passam por tratamento há muitos anos. É uma forma de eles sentirem que há outras pessoas na mesma situação e que não são os únicos”, afirma Luiz.

    CAUSAS E TRATAMENTO
    O surgimento da doença está atrelado à genética e a situações de estresse crônico. “Há um padrão hereditário, mas não existe um gene identificado para a fibromialgia”, reconhece Marcelo Cruz. Doenças graves, traumas emocionais ou físicos e até mudanças hormonais podem desencadear os sintomas, que começam com uma dor crônica localizada que progride e é difundida para todo o corpo. A doença afeta mais as mulheres, já que de cada 10 pacientes, de sete a nove são do sexo feminino. A razão para essa incidência não é clara, já que não parece haver relação com hormônios.

    A enfermidade não tem cura, mas diante de certas providências é possível conviver com a doença. Entre elas, a prática frequente de atividades aeróbicas. “Atividade física, principalmente aeróbica, tem efeito sobre o padrão de dor e melhora a fadiga. Existem trabalhos que mostram que até o tai chi chuan pode ajudar a amenizar os sintomas da fibromialgia”, reconhece Marcelo Cruz. Antidepressivos também podem ser indicados, já que agem sobre os neurotransmissores, tendo efeito sobre a dor. Diante de dores distintas e com intensidade variada, todo o tratamento é individualizado.
     (Soraia Piva / EM / DA Press)

    » Jorge Luiz Dutra, aposentado, de 58 anos
     “Até descobrir o problema, em 2004, demorei quatro anos indo em vários médicos e fazendo todo tipo de exame. Hoje aprendi a conviver com a dor que é persistente, do pescoço para baixo. Só não dói o cabelo (risos). Tomo antidepressivos e analgésicos, mas o que funciona mesmo são as caminhadas diárias de uma hora. Faça chuva ou faça sol, não deixo de ir. Na família, tenho primos que estão fazendo exames e há suspeita de fibromialgia. A grande tristeza é que a gente passa por muita humilhação porque ninguém acredita na doença, nem mesmo o Instituto Nacional da Previdência Social (INSS). Se não tem exame que identifique, não dá para comprovar.”

    » Evangelina Maria Lara, aposentada, de 75
    “Problema nos ossos foi uma dos problemas que falaram que eu tinha antes de chegar até a fibromialgia. As dores, que estão sempre presentes, começaram há mais de 30 anos e há 25 trato a doença. Não foi identificado nenhum caso na família e meus filhos também não apresentaram os sintomas. Quando tenho algum problema emocional, por menor que seja a chateação do dia a dia, a dor intensifica e é preciso tomar analgésicos para aliviar.”
     (Soraia Piva / EM / DA Press)
    Números
    3%
    da população brasileira é
    afetada pela fibromialgia

    80%
    dos pacientes são mulheres

    34 a 57
    anos é a faixa etária de
    realização do diagnóstico

    Sintomas associados
    >> Fadiga intensa
    >> Irritação intestinal e da bexiga
    >> Dor de cabeça
    >> Movimento involuntário das pernas durante o sono
    >> Dificuldade para dormir
    >> Ansiedade
    >> Depressão
    >> Dificuldade de concentração

    Tratamento
    >> Exercícios para alongamento e fortalecimento muscular, assim como para condicionamento cardiorrespiratório. Devem ser praticados durante 40 minutos, três vezes por semana
    >> Técnicas de relaxamento para prevenir espasmos musculares
    >> Hábitos saudáveis para melhorar a qualidade de vida e reduzir o estresse
    >> Medicações para o controle da dor e dos distúrbios do sono

    Conheça os 18 pontos do diagnóstico da fibromialgia (EM / DA Press)
    Conheça os 18 pontos do diagnóstico da fibromialgia